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Aja Anadecon · 08 de outubro de 2026

Participação e autonomia das pessoas idosas orientam debates sobre acesso à Justiça

8 de outubro de 2026 Garantir que pessoas idosas possam compreender, participar e decidir sobre questões que afetam suas vidas, respeitando as diferentes condições de envelhecimento, está entre os desafios do Poder Judiciário para assegurar o acesso desse público à Justiça. O tema orientou a abertura do 2º Encontro Nacional de Acesso à Justiça e Cidadania da Pessoa Idosa, que acontece nesta quinta-feira (8/10), na sede do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). O...

Por AJA ANADECON

Participação e autonomia das pessoas idosas orientam debates sobre acesso à Justiça

8 de outubro de 2026

Garantir que pessoas idosas possam compreender, participar e decidir sobre questões que afetam suas vidas, respeitando as diferentes condições de envelhecimento, está entre os desafios do Poder Judiciário para assegurar o acesso desse público à Justiça.

O tema orientou a abertura do 2º Encontro Nacional de Acesso à Justiça e Cidadania da Pessoa Idosa, que acontece nesta quinta-feira (8/10), na sede do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). 

O evento é promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e reúne representantes de instituições públicas para discutir experiências e propostas de aprimoramento da Política Judiciária sobre Pessoas Idosas e suas Interseccionalidades.

Ao abrir o encontro, a presidente do Comitê Nacional da Pessoa Idosa e Suas Interseccionalidades do CNJ, a conselheira Noemia Porto, destacou que o envelhecimento da população brasileira exige mudanças na atuação do Estado e do Sistema de Justiça.

“A questão que temos diante de nós, portanto, não é simplesmente como atender melhor a pessoa idosa quando ela procura o Judiciário. É mais ampla: como o Sistema de Justiça pode reconhecer as características, as necessidades e as diferentes formas de vulnerabilidade que atravessam o envelhecimento e, a partir disso, qualificar o acesso à Justiça, a prestação jurisdicional e as próprias estruturas institucionais”, afirmou.

A conselheira ressaltou que a Política Judiciária Nacional, instituída pela Resolução CNJ n. 520/23, precisa avançar para além das diretrizes formais. “A programação de hoje não foi pensada apenas para apresentar a política ou discutir aspectos conceituais e estatísticos”, alertou. Ela reforçou que o encontro quer identificar problemas concretos, conhecer experiências dos tribunais e reunir propostas que orientem os próximos passos da política. 

O coordenador da política no CNJ, juiz auxiliar da Presidência Hugo Gomes Zaher, salientou que a autonomia da pessoa idosa é princípio fundamental da resolução citada pela conselheira Noemia. Ele disse que quando houver necessidade de apoio, é preciso assegurar condições para que a pessoa idosa compreenda o que está sendo discutido e participe das decisões sobre sua própria vida. “Esperamos que o encontro contribua para definir prioridades e qualificar os instrumentos nacionais em construção”, afirmou. 

Dificuldades

Zaher reforçou ainda a importância da cooperação entre tribunais, instituições parceiras e pessoas idosas para que as orientações respondam às dificuldades de quem procura os serviços da Justiça.

Ao participar da mesa de abertura, o segundo vice-presidente do TJDFT, desembargador Teófilo Caetano, apresentou a atuação do Núcleo Permanente da Pessoa Idosa (NUPI) do tribunal, que trabalha em parceria com o Ministério Público e a Defensoria Pública.

“Essa integração permite aproximar diferentes serviços e possibilidades de encaminhamento. O que se busca com o espaço é uma forma integrada de atuação, sobretudo quando ocorrem situações de vulnerabilidade e violação de direitos que não comportam apenas resposta judicial ou atuação isolada de uma única instituição”, explicou sobre o serviço oferecido.

A juíza da Ouvidoria do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávia Viana, chamou a atenção para o risco de presumir a incapacidade de uma pessoa em razão da idade, restringindo sua possibilidade de falar, decidir e fazer escolhas. Ela apresentou o Guia de Atendimento às Pessoas Idosas, desenvolvido pela Ouvidoria do STF para tornar o atendimento mais respeitoso, inclusivo e acessível. Também participaram da mesa de abertura o diretor de Proteção da Pessoa Idosa do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Kênio Costa de Lima, e a subsecretária de Políticas para o Idoso do Distrito Federal, Dolores Moreira da Costa Ferreira.

Experiências e propostas

A programação do encontro inclui a apresentação de experiência do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), que realizou a Semana de Atenção à Pessoa Idosa e celebrou acordo de cooperação com a Polícia Civil do estado. Para Noemia Porto, a iniciativa demonstra a importância da atuação articulada entre Judiciário, segurança pública, assistência social, saúde e outras instituições diante de situações de violência e violação de direitos.

À tarde, cinco laboratórios temáticos discutem violência contra a pessoa idosa, direitos e cuidados, envelhecimento com qualidade de vida e direito à saúde, combate ao etarismo e aposentadoria e atividade. As contribuições serão reunidas em uma plenária ao final do encontro, para identificar prioridades e propostas para o aprimoramento da política nacional.

“O propósito não é produzir uma lista extensa de intenções, mas identificar elementos que possam efetivamente orientar o desenvolvimento da política”, afirmou a conselheira Noemia Porto.

Confira a programação 

Veja as imagens do evento no Flickr do CNJ.

Texto: Margareth Lourenço 

Edição: Beatriz Borges 

Agência CNJ de Notícias 

https://www.cnj.jus.br/participacao-e-autonomia-das-pessoas-idosas-orientam-debates-sobre-acesso-a-justica/

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